domingo, 8 de março de 2015

A Noiva

Apesar de ser publicada no dia seguinte, esta postagem foi escrita no dia 8 de março, o Dia Internacional da Mulher e, como homenagem, ela fala de duas personagens incríveis, uma fictícia e uma real.

A Noiva de Frankenstein

Dr. Frankenstein, a Noiva e o Dr. Pretorius.
Seguindo o sucesso de Frankenstein (1931), o diretor James Whale retomou o tema quatro anos depois, criando uma história onde Mary Shelley imagina uma continuação para os feitos do doutor Henry Frankenstein e sua criação, com o insano doutor conhecendo outro médico dedicado a criar vida, e ambos encontram o monstro feito por Henry, que foi dado como morto no final do filme anterior, e - com um certo incentivo - decidem criar uma parceira para ele. Como qualquer filme envolvendo cientistas que desafiam as leis naturais, tudo dá errado no final.


A Noiva de Frankenstein (1935) é considerada por muitos (inclusive por mim) como um dos melhores filmes da safra de Monstros Clássicos dos Estúdios Universal. Não se contentando em fazer uma reles sequência, Whale aumentou tudo o que pode. O Monstro agora fala (e Karloff deixou os olhares ainda mais assustadores que antes) e tem uma compreensão maior do que ele quer e - no final - do que ele é de verdade. As imagens são mais emblemáticas e vários momentos se tornaram momentos inesquecíveis da Sétima Arte. Para cutucar com vara curta a censura da época, Whale coloca no filme diálogos provocantes, imagens que normalmente não podiam estar presentes em filmes de terror e um dos primeiros personagens homossexuais do cinema (lembre, estamos falando de 1935).

Elsa como Mary Shelley
Mas, se destacando sobre todas as imensas qualidades do filme está a personagem do título, a mulher criada pelos dois médicos loucos: a Noiva. A única mulher entre os Monstros Clássicos da Universal, a Noiva foi um choque para a audiência da época, que esperando uma outra criação horrenda e deformada do Dr. Victor, ficou surpresa e assustada. A Noiva uma criatura absolutamente linda, com um visual marcante e - ao mesmo tempo - imponente e elegante, que ficou marcado na história do cinema como uma das mais incríveis criações do cinema fantástico de todos os tempos. A interpretação de Elsa Lanchester deu a criatura um ar estranho, quase alienígena, expressões exageradas (mas coerentes) e um grito que certamente ecoou por anos nos ouvidos de todos na plateia.

A única mulher entre os Monstros Clássicos da Universal, A Noiva foi a estrela do melhor filme do estúdio, e mesmo sem matar ninguém, entrou para história do terror de forma esplêndida.

Elsa Lanchester

Tão formidável quando a personagem que interpretou, Elsa Lanchester deve ser lembrada por sua vida e carreira. Estudou dança com Isadora Duncan (que ela odiava) e depois passou a se dedicar ao teatro, onde conheceu Charles Laughton, com quem se casou em 1929. Ela trabalhou em vários filmes e peças britânicas e a qualidade de seu trabalho levou Whale a convidá-la para A Noiva de Frankenstein, onde ela fez dois papéis (a escritora Mary Shelley e a Noiva).

 Sua participação em  Mary Poppins
Graças a visibilidade que recebeu em seguida, participou de mais de 40 filmes, incluindo O Fio da Navalha (The Razor's Edge, 1946), O Inspetor Geral (The Inspector General, 1949) e Mary Poppins (1964). Também participou de séries para televisão como I Love Lucy, The Man from U.N.C.L.E. e Night Gallery (Galeira do Terror).


Além de sua carreira, Elsa era uma figura polêmica. Criticando abertamente posturas e atitudes do meio cinematográfico (e de Hollywood em especial), ela era frequentemente ignorada pelos críticos e e "especialista do ramo" da época. Filha de comunistas assumidos e filiados (novamente, lembre que estamos falando de 1935), suas opiniões eram tidas como incômodas e "desagradáveis". Mas nada disso a impediu de ter a vida que queria, como queria. Seu casamento com Charles Laughton era aberto e ambos tinham amantes, com o conhecimento e consentimento um do outro (lembra que eu disse? Estamos falando de 1935). Elsa e Charles permaneceram casados até 1962, quando Laughton morreu. Havia muitos boatos sobre o casal, mas, novamente, eles não impediram que os dois fossem felizes até o final da vida de ambos.

O olhar perturbador e fascinante da Noiva.
Elsa Lanchester era uma mulher pequena (de apenas 1,64 m) e que não tinha a típica beleza que se exigia na época de uma atriz de cinema. Mas ela nem se importou com isso. Usando uma força de personalidade e de atuação ela ignorou os padrões da época e fez o que queria. Ela era uma mulher com um impacto tão grande, que deixou sua marca na história da cinema, mesmo que muita gente não saiba seu nome.

Mas que, com um olhar e um grito, conseguiu ser lembrada para sempre.

2 comentários:

  1. Bom passar por aqui e lembrar que tinha esquecido dessa obra na minha lista de "filmes para assistir"!

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